Digital ***Rádio e Tv: Crianças até 5 anos têm 17 vezes mais risco de morrer dependendo do bairro onde vivem.
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Crianças até 5 anos têm 17 vezes mais risco de morrer dependendo do bairro onde vivem.


Reprodução: Mortalidade infantil em bairros da zona leste e região central é muito superior a bairros de classe média e alta da capital paulista

São Paulo – O cenário de desigualdade na cidade de São Paulo, como em todo o Brasil, não chega a ser nenhuma novidade. Mas, pela primeira vez, informações relativas às condições de vida de crianças de zero a seis anos na capital paulista foram sistematizadas e revelam que, já entre os pequenos, a desigualdade social causa impactos terríveis no desenvolvimento. É o que mostram o Observatório e o Mapa da Desigualdade da Primeira Infância lançados na manhã desta terça-feira (5), em São Paulo, pela Rede Nossa São Paulo e a Fundação Bernard van Leer.

"Os indicadores devem servir para direcionar as prioridades de investimento do poder público. A desigualdade não é algo natural, mas resultado da concentração de políticas públicas em determinadas regiões, em detrimento de outras. E isso pode ser mudado com trabalho do poder Executivo, do poder Legislativo, do poder Judiciário e da sociedade", explicou o coordenador da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão.

Um dos dados mais preocupantes é a taxa de mortalidade infantil até cinco anos de idade. Enquanto no distrito de Pinheiros, na zona oeste, o índice é de 1,59 para cada mil crianças, no distrito do Pari, na zona leste, a taxa chega a 27,03 mortes para cada mil crianças. Ou seja, uma criança no Pari tem quase 17 vezes mais chance de morrer até os cinco anos do que uma crescida em Pinheiros. Nos Objetivos do Milênio, a Organização das Nações Unidas (ONU) estipulou para 2015 uma taxa de mortalidade de até 18 mortes por mil crianças para o Brasil.

No caso da mortalidade até um ano, a situação de desigualdade é ainda pior. No entanto, a pior região é a Sé, no centro da capital, onde a taxa de mortalidade é de 21,83 mortes para cada mil crianças nascidas. Em Perdizes, na zona oeste, a taxa é de 1,04 – uma desigualdade de 20 vezes, segundo o estudo – e no Jardim Paulista é zero.

Neste caso, a desigualdade fica mais distribuída na cidade. Os piores distritos são: República, na região central; Vila Maria, São Domingos e Freguesia do Ó, na zona norte; Vila Jacuí, Lajeado e Artur Alvim, na zona leste; e Socorro e Marsilac, na zona sul, além da já citada Sé.

A zona leste apresenta também alguns dos piores índices de acompanhamento insuficiente ao pré-natal. Os distritos de São Miguel, Vila Jacuí, José Bonifácio, Brás, Cangaíba, Itaquera, São Rafael, Itaim Paulista e Jardim Helena tiveram de 29% a 40% das mães realizando menos de 7 consultas pré-natais antes do parto. Além destes, a República na região central tem 34% das mães na mesma situação.

Mesmo depois de nascer, muitas crianças vão ter dificuldades para ter acompanhamento pediátrico adequado. Isso porque o tempo médio para o agendamento de consultas pediátricas é muito diferente em cada um dos 96 distritos que compõem a capital paulista. Enquanto em 21 bairros leva-se até dez dias para conseguir uma consulta com o pediatra, nos dez piores distritos a espera vai de 30 a 41 dias. São eles: Perus, Jaraguá (noroeste), Iguatemi, Jardim Helena, Vila Jacuí, São Miguel, São Rafael, São Mateus (zona leste), Grajaú (zona sul), e Brasilândia (zona norte).

Em toda a cidade, apenas 16 distritos não têm crianças vivendo em situação de vulnerabilidade social. Nesse caso, também, a desigualdade fica distribuída na cidade, afetando principalmente os distritos da Sé, Morumbi, Ipiranga, Vila Maria, Vila Andrade, Vila Leopoldina, Vila Guilherme, Lapa, Campo Belo e Bom Retiro, todos com mais de 11% das crianças em situação de vulnerabilidade social. O Observatório da Primeira Infância está disponível para consultas.

Na análise geral, o Mapa da Desigualdade da Primeira Infância listou 26 distritos em que as crianças têm mais riscos de ter seus direitos básicos desrespeitados. Todos nas franjas da cidade. O distrito do Grajaú, na zona sul, ficou entre os piores em 20 dos 28 indicadores avaliados. Além dele, Jardim Ângela, Cidade Ademar e Parelheiros (sul); Cachoeirinha, Brasilândia e Tremembé (zona norte); e Guaianases, Parque do Carmo e São Rafael (zona leste).

por Rodrigo Gomes, da RBA